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Pessoas

MORGADO, Vasco Manuel Veiga

Produtor e Empresário

Morgado, Vasco

n. Charneca da Caparica, 1924-05-19; m. Lisboa, 1978-11-22

Foi o mais destacado e dinâmico produtor teatral do terceiro quartel do séc. XX, tendo levado à cena mais de 350 espectáculos em regime de produção contínua. O seu percurso inicia-se com uma forte motivação para se tornar actor no teatro e também no cinema. Para tal, inscreveu-se no Conservatório, onde permaneceu apenas durante três anos e foi colega de Mariana Rey Monteiro, Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Canto e Castro e Artur Semedo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a exportação de volfrâmio para a Alemanha enquanto garante da neutralidade portuguesa no conflito armado, gerou uma corrida à prospecção e comercialização desse metal. Foi justamente neste contexto que, depois de ter partido aos dezoito anos para Trás-os-Montes, conseguiu reunir uma larga soma de capital que lhe permitiu constituir a empresa Cineditora com Constantino Neves, a partir da qual produziu e actuou nos filmes Ladrão precisa-se (1946) e Heróis do mar (1949). Porém, a fraca prestação destas longas metragens conduziu a empresa praticamente à falência, mais tarde reanimada, na sequencia de uma abastada herança ocasionada pelo falecimento do seu pai.

Em 1947 desempenhou o papel de Jorge no filme Capas negras, no qual contracenou com Amália *Rodrigues e Alberto *Ribeiro, tendo ainda participado nos filmes Sonhar é fácil (1951), Os três da vida airada (1952), Duas causas (1953) e O parque das ilusões (1963). Um ano depois casou-se com a actriz Laura *Alves, que havia conhecido enquanto figurante no filme O Pai tirano (1941), vedeta que constituiu um elemento-chave na sua estratégia empresarial enquanto produtor teatral. Assumindo publicamente uma “incapacidade para representar”, desistiu da carreira cinematográfica, passando dedicar-se exclusivamente à produção teatral em 1951, embora detendo paralelamente algumas incursões em negócios nos ramos da hotelaria, da construção e do imobiliário.

O seu surgimento e ascensão enquanto empresário ocorreu num contexto específico do séc. XX em Portugal. A década de 50 assinalou um novo paradigma de quotidiano baseado em novos e mais elaborados padrões de consumo cultural e de entretenimento de massas. A intensificação de influências norte-americanas em pleno período de pós-guerra cristalizou, embora lentamente, as ideias de internacionalização, de urbanidade e de cosmopolitismo. Este processo consolidou-se com a inauguração do Cine-Teatro Monumental em 1951, um novo e moderno centro de atracções lisboeta que se propunha alargar os espaços de sociabilidade para fora do Parque Mayer. Ciente deste crescimento, o empresário suplantou a concorrência no concurso de aluguer do edifício, assumindo desde logo a direcção daquele que foi frequentemente apelidado de “sede do seu império”.

No que respeitava à questão empresarial, veio preencher um vazio provocado pela cessação de actividade de Piero Bernardón (sucessor do empresário António Macedo após a sua morte, quatro anos antes), que em 1949 abandonou o país por motivos alegadamente associados e má gestão e falência. Este enquadramento particular permitiu-lhe os primeiros passos enquanto produtor teatral, com uma colaboração financeira em dois espectáculos de revista da companhia teatral de Francisco Ribeiro no Teatro Apolo (Enquanto houver Santo António, 1950; Aguenta-te Zé (1951), de que fazia parte Laura Alves. Mas a sua primeira produção em nome individual, foi à cena no Teatro Avenida em 1951 – Está lá fora o inspector – uma adaptação de J. B. Priestley, com um elenco composto por João Villaret, Maria Lalande, Assis Pacheco, Ruy de Carvalho, e.o., com a qual granjeou um grande sucesso.

A partir deste momento, o slogan “Vasco Morgado apresenta” constituiu-se enquanto produto simbólico, ou mais especificamente enquanto uma marca criada pelo próprio, que só viria desaparecer com a sua morte em 1978.

Tendo assumido uma lógica puramente comercial, embora movida, assumidamente por uma grande paixão pelo teatro, a sua estratégia consistia na mercantilização deste género expressivo enquanto um produto segmentado em várias gamas orientadas para as massas.

Uma das mais fortes engrenagens que assegurou o funcionamento da sua actividade tratou-se de um sistema que produzia e era produto de vedetas, ou seja, a garantia de lotações esgotadas a partir de artistas reconhecidos e seguidos pelo público, constituiu simultaneamente um modo de criação de novas vedetas que assegurariam a afluência a espectáculos futuros.

Foram montadas fortes campanhas de marketing e publicidade, sempre a partir de uma lógica de atractividade baseada nos gostos dos lisboetas. Ao longo de toda a sua actividade, foi assumindo o controlo de um número crescente de teatros, o que lhe foi constantemente criticado, sob alegações de pretensões monopolistas do campo teatral português.

Embora nem todos os espaços tenham sido explorados de modo contínuo, contaram-se na sua organização, para além do T. Monumental e do T. Avenida (Av. da Liberdade), o T. Variedades (P. Mayer, 1954), o T. Maria Vitória (P. Mayer, 1960), o T. Capitólio (P. Mayer, 1965), T. Villaret (Av. Fontes Pereira de Melo, 1967) e o T. Laura Alves (desmontável e posteriormente sediado no antigo cinema Rex – Anjos, 1968).

Manteve, desde o início da sua actividade, o T. Sá da Bandeira (Porto) e pontualmente, em 1967, o Teatro Ginástico (Rio de Janeiro, Brasil). Produziu também espectáculos nos teatros Ginásio, Apolo, S. Luiz, Júlio Diniz, Rivoli, bem como nos Coliseus de Lisboa e Porto e Pavilhão dos Desportos.

Para além da actividade desenvolvida em Portugal Continental, levou também as suas companhias com os espectáculos que apresentava em Lisboa à Madeira e ao estrangeiro, designadamente a Espanha, a França, ao Brasil e às Colónias Ultramarinas (Angola e Moçambique).

Em 22 Nov. 1978, faleceu por motivos de doença (tuberculose), momento em que estavam a decorrer ensaios do espectáculo de revista A aldeia da roupa suja e do espectáculo de grande sucesso Felizardo & C.ª - Modas e confecções.

Vasco Morgado foi o maior empresário de entretenimento português da segunda metade do séc. XX. Desempenhou um papel de grande relevância no âmbito do apoio à criação e disseminação da música em Portugal. Centrando a sua actividade no teatro comercial, apostou fortemente em espectáculos de comédia musical, de teatro de revista e de opereta, de que resultou a contratação de orquestras, de intérpretes e de compositores cuja actividade se estendia para festividades e outros eventos de entretenimento levados a cabo no Cine-Teatro Monumental. Por outro lado, e neste mesmo espaço, concentrou-se também na captação das camadas jovens portuguesas, ao ter trazido a Portugal grandes artistas internacionais como Sammy Davis Jr., Adamo, e.o., para além de ter acolhido inúmeros concursos de música yé-yé.

Deste modo, conseguiu assegurar uma profissionalização de artistas lançando e apoiando-se em actores-cantores como L. Alves, Vasco Santana, António Silva, Milú, Raul Solnado, João Villaret, Camilo de Oliveira, José Viana e Simone de Oliveira e compositores como Frederico Valério, Fernando de Carvalho, Belo Marques, João Nobre, Carlos Dias, João de Vasconcelos, Manuel Paião e Pedro Osório.

Nome

MORGADO, Vasco Manuel Veiga

Outros nomes porque é conhecido

Morgado, Vasco

Função

Produtor e Empresário

Local de Nascimento

Charneca da Caparica

Data de Nascimento

1924-05-19

Data de Morte

1978-11-22

Biografia

Foi o mais destacado e dinâmico produtor teatral do terceiro quartel do séc. XX, tendo levado à cena mais de 350 espectáculos em regime de produção contínua. O seu percurso inicia-se com uma forte motivação para se tornar actor no teatro e também no cinema. Para tal, inscreveu-se no Conservatório, onde permaneceu apenas durante três anos e foi colega de Mariana Rey Monteiro, Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Canto e Castro e Artur Semedo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a exportação de volfrâmio para a Alemanha enquanto garante da neutralidade portuguesa no conflito armado, gerou uma corrida à prospecção e comercialização desse metal. Foi justamente neste contexto que, depois de ter partido aos dezoito anos para Trás-os-Montes, conseguiu reunir uma larga soma de capital que lhe permitiu constituir a empresa Cineditora com Constantino Neves, a partir da qual produziu e actuou nos filmes Ladrão precisa-se (1946) e Heróis do mar (1949). Porém, a fraca prestação destas longas metragens conduziu a empresa praticamente à falência, mais tarde reanimada, na sequencia de uma abastada herança ocasionada pelo falecimento do seu pai.

Em 1947 desempenhou o papel de Jorge no filme Capas negras, no qual contracenou com Amália *Rodrigues e Alberto *Ribeiro, tendo ainda participado nos filmes Sonhar é fácil (1951), Os três da vida airada (1952), Duas causas (1953) e O parque das ilusões (1963). Um ano depois casou-se com a actriz Laura *Alves, que havia conhecido enquanto figurante no filme O Pai tirano (1941), vedeta que constituiu um elemento-chave na sua estratégia empresarial enquanto produtor teatral. Assumindo publicamente uma “incapacidade para representar”, desistiu da carreira cinematográfica, passando dedicar-se exclusivamente à produção teatral em 1951, embora detendo paralelamente algumas incursões em negócios nos ramos da hotelaria, da construção e do imobiliário.

O seu surgimento e ascensão enquanto empresário ocorreu num contexto específico do séc. XX em Portugal. A década de 50 assinalou um novo paradigma de quotidiano baseado em novos e mais elaborados padrões de consumo cultural e de entretenimento de massas. A intensificação de influências norte-americanas em pleno período de pós-guerra cristalizou, embora lentamente, as ideias de internacionalização, de urbanidade e de cosmopolitismo. Este processo consolidou-se com a inauguração do Cine-Teatro Monumental em 1951, um novo e moderno centro de atracções lisboeta que se propunha alargar os espaços de sociabilidade para fora do Parque Mayer. Ciente deste crescimento, o empresário suplantou a concorrência no concurso de aluguer do edifício, assumindo desde logo a direcção daquele que foi frequentemente apelidado de “sede do seu império”.

No que respeitava à questão empresarial, veio preencher um vazio provocado pela cessação de actividade de Piero Bernardón (sucessor do empresário António Macedo após a sua morte, quatro anos antes), que em 1949 abandonou o país por motivos alegadamente associados e má gestão e falência. Este enquadramento particular permitiu-lhe os primeiros passos enquanto produtor teatral, com uma colaboração financeira em dois espectáculos de revista da companhia teatral de Francisco Ribeiro no Teatro Apolo (Enquanto houver Santo António, 1950; Aguenta-te Zé (1951), de que fazia parte Laura Alves. Mas a sua primeira produção em nome individual, foi à cena no Teatro Avenida em 1951 – Está lá fora o inspector – uma adaptação de J. B. Priestley, com um elenco composto por João Villaret, Maria Lalande, Assis Pacheco, Ruy de Carvalho, e.o., com a qual granjeou um grande sucesso.

A partir deste momento, o slogan “Vasco Morgado apresenta” constituiu-se enquanto produto simbólico, ou mais especificamente enquanto uma marca criada pelo próprio, que só viria desaparecer com a sua morte em 1978.

Tendo assumido uma lógica puramente comercial, embora movida, assumidamente por uma grande paixão pelo teatro, a sua estratégia consistia na mercantilização deste género expressivo enquanto um produto segmentado em várias gamas orientadas para as massas.

Uma das mais fortes engrenagens que assegurou o funcionamento da sua actividade tratou-se de um sistema que produzia e era produto de vedetas, ou seja, a garantia de lotações esgotadas a partir de artistas reconhecidos e seguidos pelo público, constituiu simultaneamente um modo de criação de novas vedetas que assegurariam a afluência a espectáculos futuros.

Foram montadas fortes campanhas de marketing e publicidade, sempre a partir de uma lógica de atractividade baseada nos gostos dos lisboetas. Ao longo de toda a sua actividade, foi assumindo o controlo de um número crescente de teatros, o que lhe foi constantemente criticado, sob alegações de pretensões monopolistas do campo teatral português.

Embora nem todos os espaços tenham sido explorados de modo contínuo, contaram-se na sua organização, para além do T. Monumental e do T. Avenida (Av. da Liberdade), o T. Variedades (P. Mayer, 1954), o T. Maria Vitória (P. Mayer, 1960), o T. Capitólio (P. Mayer, 1965), T. Villaret (Av. Fontes Pereira de Melo, 1967) e o T. Laura Alves (desmontável e posteriormente sediado no antigo cinema Rex – Anjos, 1968).

Manteve, desde o início da sua actividade, o T. Sá da Bandeira (Porto) e pontualmente, em 1967, o Teatro Ginástico (Rio de Janeiro, Brasil). Produziu também espectáculos nos teatros Ginásio, Apolo, S. Luiz, Júlio Diniz, Rivoli, bem como nos Coliseus de Lisboa e Porto e Pavilhão dos Desportos.

Para além da actividade desenvolvida em Portugal Continental, levou também as suas companhias com os espectáculos que apresentava em Lisboa à Madeira e ao estrangeiro, designadamente a Espanha, a França, ao Brasil e às Colónias Ultramarinas (Angola e Moçambique).

Em 22 Nov. 1978, faleceu por motivos de doença (tuberculose), momento em que estavam a decorrer ensaios do espectáculo de revista A aldeia da roupa suja e do espectáculo de grande sucesso Felizardo & C.ª - Modas e confecções.

Vasco Morgado foi o maior empresário de entretenimento português da segunda metade do séc. XX. Desempenhou um papel de grande relevância no âmbito do apoio à criação e disseminação da música em Portugal. Centrando a sua actividade no teatro comercial, apostou fortemente em espectáculos de comédia musical, de teatro de revista e de opereta, de que resultou a contratação de orquestras, de intérpretes e de compositores cuja actividade se estendia para festividades e outros eventos de entretenimento levados a cabo no Cine-Teatro Monumental. Por outro lado, e neste mesmo espaço, concentrou-se também na captação das camadas jovens portuguesas, ao ter trazido a Portugal grandes artistas internacionais como Sammy Davis Jr., Adamo, e.o., para além de ter acolhido inúmeros concursos de música yé-yé.

Deste modo, conseguiu assegurar uma profissionalização de artistas lançando e apoiando-se em actores-cantores como L. Alves, Vasco Santana, António Silva, Milú, Raul Solnado, João Villaret, Camilo de Oliveira, José Viana e Simone de Oliveira e compositores como Frederico Valério, Fernando de Carvalho, Belo Marques, João Nobre, Carlos Dias, João de Vasconcelos, Manuel Paião e Pedro Osório.

Criado por

Gonçalo Antunes de Oliveira

Place of Death

Lisboa

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Eventos

Braziliana

Producer

A Severa (1955)

Producer

Severa, A (1955)

Producer

Palhaços (1956)

Producer

Média